Deus é Deus – Independente das circunstâncias

Talvez não tenhamos de verdade o conhecimento e a dimensão de quem seja Deus. Muitas vezes temos cobrado de Deus um posicionamento, uma ação, como se Deus devesse algo para nós. Pedir a Ele, até com insistência, falar com Ele nas orações, ter uma intimidade com Ele é o que a Igreja e a própria Palavra nos ensina e nos pede, mas muitas vezes questionamos a Deus por algo que ocorre, como se Ele fosse o culpado ou o responsável por aquilo que estamos passando ou vivendo.

Na própria Pandemia com certeza você já cobrou ou pelo menos perguntou a Deus: por que tudo isto está ocorrendo e o por que Ele nada faz para acabar com a mesma? Fora da questão da Pandemia talvez tenhamos cobrado de Deus sobre o “por quê?” de uma enfermidade, de uma crise financeira, de uma falta de emprego entre tantas outras tribulações terem nos atingido e por qual motivo Ele ainda não tomou providências para nos aliviar destes sofrimentos.

Afinal de contas, somos da Igreja Católica (a Igreja de Cristo), somos servos ou participantes ativos na estrutura da Igreja. Somos dizimistas e contribuímos mensalmente com a Igreja e sempre ajudamos nas obras de caridade e em todas as solicitações que nos chegam. Entendemos, portanto, que não deveria estar ocorrendo conosco e sim com aqueles que fazem exatamente ao contrário.

Mais uma vez nós confundimos quem é Deus.

Primeiro Ele não faz distinção entre os seus filhos. Se fazemos tudo aquilo que citamos acima, não fazemos nada mais do que nossa obrigação como Cristão. Isto não nos dá direito a nenhuma recompensa e não nos faz melhor do que ninguém. O que o Senhor nos ensina é que se há pessoas que ainda não se converteram, cabe a nós, convertidos, convertê-los, evangelizá-los, mostrar os caminhos que os levem a Deus.

Deus quando criou o mundo, viu que tudo era bom. Criou o homem a sua imagem e semelhança, deu ao homem a parceira que o homem pediu, ou seja, criou a mulher e apenas os proibiu de comerem do fruto de uma única árvore no imenso Jardim do Éden.

Foi a primeira que comeram!

O inimigo, que é astuto tentou a mulher e ambos comeram do fruto, que em resumo, significou o pecado da desobediência que gera para nós um pecado até hoje que só é reparado no Batismo. Citei esta passagem porque queria reforçar que tudo que Deus faz é bom. Na verdade, Deus é bom o tempo todo. O tempo todo Deus é bom. Quantas alianças Deus não fez com o seu povo para libertá-lo. Mas, foi preciso enviar e entregar seu Filho à morte por cada um de nós e o mesmo pagou muito caro por nossos erros e por nossos pecados.

Agora, sou eu que lhes faço uma pergunta: Onde estava Deus no momento em que seu Filho era maltratado, espancado, escarrado, humilhado e pregado numa cruz, numa das mortes mais brutais e horríveis da época. Com certeza, Deus Pai, estava ao lado do Filho, dando toda a força necessária para que Ele, o Filho, fosse até o fim no processo de Salvação. E Deus fez isto, para que eu e você pudéssemos ser salvos.

Havia uma missão para Jesus. Há uma missão para cada um de nós. Houve um cruz para Jesus. Há uma cruz para cada um de nós. A cruz, porém, é uma passagem, é temporária, pode até se repetir, mas no final sabemos que nos traz Salvação. No céu, só entram os Santos. Na terra, temos que trilhar um caminho de Santidade e isto não é fácil.

Muitas vezes, creio, assim como na passagem de Jó, Deus permite que passemos por tribulações, para que possamos mostrar a nossa fé inabalável e para que possa nos ajudar no processo de purificação e Santificação que todos nós teremos que passar. Quando menos purificação por aqui, com certeza, mais tempo de purificação no Purgatório. Deus nos ama sempre. Muitas coisas Ele não pode fazer por nós, porque acima de tudo Ele respeita a liberdade para a qual Ele nos criou. O que chamamos comumente de Livre Arbítrio. Ele não pode interferir nas nossas escolhas. Muitas vezes Ele nos orienta, nos fala, nos adverte, nos exorta, mas a aceitação tem ser livre. Tem que ser nossa.

Algumas respostas nunca teremos neste mundo, tais como: – Para que passamos por tudo isto? Por que alguns passam mais outros menos? Eu, gostaria de um dia, poder estar Face a Face com o Senhor para poder perguntar e ouvir Dele mesmo estes questionamentos. Mas, para isto, se eu não trilhar meu caminho de Santidade, seu eu não carregar as minhas cruzes, mesmo muitas vezes pedindo ajuda Dele para carregar, se eu não
me purificar, não terei a chance de perguntar, nem de ouvir estas respostas.

No dia em que me foi proposto para escrever sobre este tema, tivemos a morte de um sacerdote de nossa Diocese, o Padre Cleiton Jorge. Com certeza nos perguntamos: – por que um padre tão jovem, tão bom, tão próximo do povo, tão feliz e alegre no sacerdócio nos deixou? Estava desenvolvendo na comunidade para a qual foi enviado como Pastor um excelente trabalho. Sonhava com sua nova Igreja, mas acima de tudo, havia trazido de volta muitos fiéis.

O tempo é de Deus. Soubemos que o Padre Cleiton teve falta de oxigenação no cérebro que poderia lhe trazer sequelas. Não sabemos ao certo. Mas Deus sabe. E se Deus, quis, por amor ao seu filho amado e pastor aliviar seus sofrimentos e já o colocar nos seus braços e inundar o céu com a alegria do serviço, assim o fez.

Nosso sacerdote Padre Ubirajara numa homilia da missa feita em honra ao Padre Cleiton, nos contou todas estas coisas. Havia nos testemunhos do Padre Ubirajarauma tristeza pela perda física de um irmão e filho espiritual, mas uma alegria que nos contagiou e nos fez entender que Deus continua sendo bom. O tempo todo Deus é bom.

Enfim Deus é Deus e continuará sendo Deus para sempre independente das circunstâncias. Ele continuará sempre ao seu lado (como na passagem dos discípulos de Emaus). Ele o carregará no colo (como nas pegadas na areia). Ele o amará sempre, porque Cristo mesmo sofrendo o que sofreu, num último momento, entregou sua mãe ao seu discípulo mais amado João (único aos pés da cruz) que a levou para casa.

Onde estavam os outros apóstolos? Onde está você hoje neste tempo tão difícil? Está nos sacrários, em oração, mesmo que virtualmente? Ou está reclamando, blasfemando ou cobrando de Deus uma providência. Eu prefiro crer num Deus que me ama, que não me abandona, que faz tudo por mim. Talvez Ele esteja sofrendo por cada um de nós, assim como, sofreu por seu Filho na cruz. Mas só Ele poderá nos dar a Vitória. E a Vitória é certa.

Deus não faz nada pela metade. Talvez tenhamos perdido entes queridos nesta pandemia. Talvez estejamos neste momento num hospital ainda sofrendo os efeitos desta doença. Deus estará ao seu lado. Clame por Ele.

Temos um dado que todos aqueles que colocaram sua confiança em Deus, passaram com mais tranquilidade e menos efeito por esta terrível doença. Neste tempo quaresmal, há um tempo oportuno de conversão, de adoração, de louvor e de amor a Deus. Eu posso mudar. Você pode mudar. Deus, porém, nunca muda. Continua sendo o mesmo Deus e nunca nos abandonará. Creia Nele e Ele tudo fará.

Louvado seja sempre o Nosso Senhor Jesus Cristo.
Jair Ortega
Pascom – Nossa Senhora de Lourdes – Alphaville


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