O modo de distribuir a Sagrada Comunhão

Antes mesmo de falarmos sobre as formas de distribuição da Comunhão precisamos primeiramente conhecer e entender melhor o que é a Sagrada Comunhão.

Na passagem bíblica Lucas 22: 19-20 temos que:

“Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos seus discípulos, dizendo: ‘Isto é o meu corpo dado em favor de vós, fazei isto em memória de mim’”.

Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo:

“Isto é o meu sangue. O cálice da nova aliança que será derramado por vós. Fazei isto em memória de mim. “

Estamos falando portanto do corpo, do sangue, da alma e da divindade do Nosso Senhor Jesus Cristo que na sua infinita humildade se tornou pão para poder continuar em nós até a sua vinda definitiva.

O Papa João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia, deixou à Igreja uma admoestação ardente que soa como um verdadeiro testamento: Dando à Eucaristia todo o realce que merece e procurando com todo o cuidado não atenuar nenhuma das suas dimensões ou exigências, damos provas de estar verdadeiramente consciente da grandeza deste dom.

A consciência da grandeza do mistério eucarístico evidencia-se particularmente na maneira como é distribuído e recebido o Corpo do Senhor; isto aparece com evidência no rito da comunhão, enquanto esta constitui a consumação do sacrifício eucarístico.

É para o fiel o ponto culminante do encontro e da união pessoal com Cristo realmente e substancialmente presente sob o humilde véu das espécies eucarísticas.

No Ocidente, a partir dos séc. VIII-IX, e no Oriente, já alguns séculos antes, a Igreja em todas as suas tradições litúrgicas começou a adotar o modo de distribuir as sagradas espécies eucarísticas diretamente na boca. Na tradição dos ritos latinos se ajuntou ainda o gesto de ajoelhar-se, uma expressão ritual própria do cristianismo ocidental. Este desenvolvimento se pode considerar como um fruto da espiritualidade e da devoção eucarística.

Existem várias exortações ardentes dos Padres da Igreja sobre a máxima veneração, delicadeza e cuidado para com o Corpo eucarístico do Senhor, em particular a respeito dos fragmentos do pão consagrado. Quando se começou a notar que não existiam mais as condições que garantiam o cumprimento das exigências de máximo respeito e do caráter altamente sagrado do pão eucarístico, a Igreja, seja no Ocidente, seja no Oriente, em um admirável consenso percebeu a urgência de modificar o rito então vigente, isto é, passando da distribuição da comunhão na mão à distribuição na boca. 

O Banquete eucarístico é verdadeiramente o “O Pão dos Anjos que se torna pão dos homens … Que maravilha: O pobre e humilde servo toma como alimento o seu Senhor”.  Santo Agostinho advertia que nós pecamos se não adoramos o Corpo eucarístico do Senhor ao recebê-lo: Ninguém coma deste pão sem primeiro o ter adorado … Pecariamos por não adorá-lo.

Todos se prostrem em adoração sobre a terra, os pequenos e os grandes e começa-se a distribuição da comunhão. Sobre o estreito vínculo entre a adoração e a sagrada comunhão falava tão sugestivamente o então Cardeal J. Ratzinger: Tomá-la (a Eucaristia) … é um acontecimento espiritual que envolve toda a realidade humana. “Tomá-lo” significa: adorá-lo.

O modo de distribuir a comunhão – aparentemente um gesto insignificante – assume na realidade uma importância primária e tem conseqüências decisivas para a fé e a devoção dos fiéis, enquanto reflete visivelmente a fé, o amor e a delicadeza com que a Igreja em um determinado período histórico trata o Seu Divino Esposo e Senhor nas humildes espécies do pão e vinho.

Portanto, diante da humildade de Cristo e do Seu amor, que Se fez presente a nós nas espécies eucarísticas, não se pode senão ajoelhar-se. O Cardeal J. Ratzinger observava ainda: “Dobrar os joelhos perante a presença de Deus vivo é irrenunciável. O modo da distribuição da comunhão na mão é realizado nos nossos dias infelizmente em condições históricas bastante desfavoráveis, quer dizer: notável diminuição da fé na presença real, do respeito e da sensibilidade pelo sagrado, mentalidade consumista, aproximação indiscriminada e incontrolável à sagrada comunhão, muitas vezes de todos os presentes na liturgia, também das pessoas não bem dispostas, não católicas e até não batizadas (um fenômeno que se verifica de maneira mais marcante nas celebrações de massa), e, enfim, um crescente fenômeno de profanações de hóstias consagradas por parte de grupos esotéricos e satânicos.

O próprio rito de distribuição na mão contribui, no hodierno contexto histórico, a uma progressiva e bastante difundida negligência com relação aos fragmentos, o que, juntamente com o não uso da patena de comunhão, faz com que os fragmentos caiam por terra e se percam com grande facilidade. Assim acontece com freqüência, e sempre mais vem aumentando, que os fragmentos eucarísticos, as pérolas mais preciosas que existem sobre esta terra, são literalmente pisoteados nas igrejas católicas, sem os fiéis disso se aperceberem. Como contrasta este fenômeno, minimizado ou silenciado por não poucos pastores da Igreja nos nossos dias, com a preocupação dos Padres da Igreja para que não se perdesse nem mesmo o mínimo fragmento do pão eucarístico!

Neste sentido exortava São Cirilo de Jerusalém de maneira tão sugestiva: Sê vigilante, para que não percas nada do Corpo do Senhor. Se tu deixasses cair alguma coisa, deverias considerá-lo como se tivesses cortado um dos membros do teu próprio corpo. Dize-me, te suplico, se alguém te desse grãozinhos de ouro, tu por acaso não terias a máxima cautela e diligência, atento a não perder nada? Não deverias cuidar, com cautela e vigilância ainda maior, a fim de que nada e nem mesmo uma migalha do Corpo do Senhor pudesse cair por terra, porque a sua preciosidade é de grandeza superior ao ouro ou às jóias.

Há muitos anos, o Cardeal J. Ratzinger fez a seguinte constatação preocupante a respeito do momento da comunhão em vários lugares: “Nós não nos elevamos mais à grandeza do evento da comunhão, mas arrastamos o dom do Senhor para baixo, ao ordinário da livre disposição, à cotidianidade.

Por esta razão, a Igreja está muito interessada em que a Eucaristia seja celebrada e que nela se participe da maneira a mais digna e maximamente frutuosa, em absoluta fidelidade à tradição, que chegou até nós por um certo desenvolvimento, e cujas riquezas penetraram o costume e a vida da Igreja.

No tempo seguinte, depois de a verdade do mistério eucarístico, sua força e a presença de Cristo nele ter sido mais aprofundada, a compreensão mais profunda tanto da reverência para com este Santíssimo Sacramento quanto da humildade com que se deve recebê-lo levou ao costume de o ministro mesmo colocar a partícula do pão consagrado na língua do comungante.

Esta maneira de distribuir a Santa Comunhão, levando em consideração, no seu conjunto, a situação atual da Igreja, deve ser conservada, não somente porque se funda numa tradição de muitos séculos, mas sobretudo porque exprime e significa a reverência dos fiéis para com a Eucaristia.

Além disso, o cuidado e o ministério do Corpo e do Sangue de Cristo foi confiado de modo todo particular aos sagrados ministros ou a pessoas para isso especialmente escolhidas e designadas: « Depois de aquele que preside ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós os ministros distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’.

Há porém, algumas pessoas que impossibilitadas de participarem da Santa Missa, recebem a Eucaristia em sua casa. Por isso, a tarefa de levar a Sagrada Eucaristia aos ausentes foi bem cedo confiada somente aos sagrados ministros, com a finalidade de melhor assegurar, de um lado, a devida reverência para com o Corpo de Cristo e, por outro lado, o atendimento das necessidades dos fiéis. Há todo um rito próprio para este momento de comunhão e somente os ministros autorizados e preparados podem realizá-los

A Comunhão na Mão

No Brasil, A Assembléia Geral da CNBB de 1974, aprovou para que se pedisse à Santa Sé licença para os que mesmos Bispos, em suas respectivas Dioceses, pudessem autorizar a distribuição da comunhão na mão. A Sagrada Congregação para o Culto Divino, concedeu a autorização de acordo com normas de instrução

É, pois, concedida a todos os Ordinários de Lugar do Brasil a licença de autorizar em suas respectivas circunscrições eclesiásticas a distribuição da comunhão na mão dos fiéis, mas tão somente dentro das condições estabelecidas nos documentos supracitados, a saber:

1. Cada Bispo deve decidir se autoriza ou não em sua Diocese a introdução do novo rito, e isso com a condição de que haja preparação adequada dos fiéis e que se afaste todo perigo de irreverência.

2. A nova maneira de comungar não deve ser imposta, mas cada fiel conserve o direito de receber a comunhão na boca, sempre que preferir.

3. Convém que o novo rito seja introduzido aos poucos, começando por pequenos grupos, e precedido por uma adequada catequese. Esta visará a que não diminua a fé na presença eucarística, e que se evite qualquer perigo de profanação.

4. A nova maneira de comungar não deve levar o fiel a menosprezar a comunhão, mas a valorizar o sentido de sua dignidade de membro do Corpo Místico de Cristo.

5. A hóstia deverá ser colocada sobre a palma da mão do fiel, que a levará à boca antes de se movimentar para voltar ao lugar. Orientações mais recentes dadas pela CNBB a respeito do mesmo assunto encontram-se, como já indicado acima, em: CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2006, p. 23, n. XVIII. 186 Sapientia Crucis embora por várias razões isso nos pareça menos aconselhável, o fiel apanhará a hóstia na patena ou no cibório, que lhe é apresentado pelo ministro que distribui a comunhão, e que assinala seu ministério dizendo a cada um a fórmula: “O Corpo de Cristo”* .

É, pois, reprovado o costume de deixar a patena ou o cibório sobre o altar, para que os fiéis retirem do mesmo a hóstia, sem apresentação por parte do ministro. É também inconveniente que os fiéis tomem a hóstia com os dedos em pinça e, andando, a coloquem na boca.

6. É mister tomar cuidado com os fragmentos, para que não se percam, e instruir o povo a seu respeito. É preciso, também, recomendar aos fiéis que tenham as mãos limpas.

7. Nunca é permitido colocar na mão do fiel a hóstia já molhada no cálice.

8. Os Bispos que introduzirem o novo rito em suas Dioceses deverão apresentar, dentro de seis meses, um relatório à Sagrada Congregação para o Culto Divino sobre os resultados colhidos. Só mediante o respeito destas sábias condições, poderemos aguardar os frutos, que todos desejam desta medida. A experiência da distribuição da comunhão na mão, em vários pontos do país, revelou pontos negativos, que deverão ser cuidadosamente eliminados.

Assim, alguns ministros deram na mão do fiel a hóstia já molhada no cálice, enquanto outros, para ganhar tempo, colocaram na própria mão várias hóstias, fazendo escorregar rapidamente, uma a uma nas mãos dos fiéis, como quem distribui balas às crianças. Ao que ficou exposto acima, acrescentamos que urge, em primeiro lugar, fazer a preparação dos ministros que distribuem a Eucaristia, Presbíteros ou Leigos, pois desta preparação dependerá decisivamente a dos fiéis. Fazendo votos para que o novo modo de distribuir a comunhão venha trazer benefícios em nossas Dioceses, nos subscrevemos. 

Em nossa paróquia a Distribuição da Eucaristia é feita preferencialmente na boca, mas que deseja recebê-la na mão deve postar suas mãos corretamente na fila da comunhão para que o Ministro possa compreender seu desejo. Felizmente o número de fieis que desejam receber na mão é muito raro hoje em dia e entendemos que acima de tudo o que foi falado sobre como distribuir, é como receber e entender o que se recebe e saber se está de verdade preparado e em condições de recebê-lo.

Muitos recebem a Eucaristia de forma Espiritual. Muitos neste tempo de Pandemia, aprenderam e entenderam como esta comunhão se realiza. O fato de não podermos estar fisicamente nas Igrejas, fazíamos uma oração espiritual e recebíamos espiritualmente o Senhor. Quantos neste momento, também não sentiram como se a tivessem recebido em sua boca. São mistérios que somente o Cristo poderá um dia nos revelar, mas que acima de tudo está alicerçado na nossa fé. 

Neste tempo de Pandemia, a forma de Distribuição da Comunhão, passou a ser distribuída pelos ministros e pelo sacerdote nas mãos, porém, alguns cuidados especiais foram feitos. Não há o contato das mãos do sacerdote ou do ministro na hóstia consagrada. A mesma é retirada da Âmbula com uma pinça especialmente preparada para este fim.

Logo no inicio deste procedimento, foi distribuído e depois também colocado à disposição dos fiéis um mini-corporal para a hóstia que fica sobre as mãos postas do fiel e neste mini-corporal o sacerdote ou o ministro depositava a comunhão. Foram orientados também sobre os cuidados por minúsculas partículas, pois cada delas representa integralmente o corpo de Cristo.

Há de se destacar também, não só no momento da Pandemia, mas a importância do acompanhamento da Irmandade do Santíssimo junto a Ministro, que auxilia o mesmo na verificação se houve de fato a comunhão por parte do fiel.

Todo o cuidado é pouco quando estamos diante de Cristo presente na Eucaristia. 

Que possamos entender, compreender, valorizar e agir de maneira correta diante da Sagrada Eucaristia e que possamos Adorar ao Senhor no momento pós comunhão. É Cristo que se fez pão para estar junto de nós. Estreite o seu relacionamento e a sua intimidade com o Senhor

Louvado seja sempre o Nosso Senhor Jesus Cristo

Para sempre seja Louvado


Fontes:

– Documento Redemptionis Sacramentum

– Artigo – O modo de Distribuir a comunhão – Dom Athanasius Schneider – ORC publicado no site Institutum Sapientiae

– Documentos da CNBB


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