HISTÓRIA DA MISSÃO DE RUA EM NOSSA PARÓQUIA

A Pastoral da Caridade, assim que criada em Novembro de 2015, pelo nosso pároco Padre Ubirajara, recomendou que conhecêssemos o trabalho da missão de rua da Comunidade São Patrício do Jardim Piratininga em Osasco. Conhecemos o trabalho, fizemos um chamamento do pessoal da Pastoral da Caridade e durante alguns meses participamos com eles da missão às sextas feiras. Desde então, também contribuíamos mais efetivamente com alimentos, roupas e com um achocolatado que levávamos em todas as missões.

Em uma destas sextas feiras (Podemos afirmar, como sendo o início da missão de rua em nossa paróquia)  com a missão praticamente encerrada, o Sr. Alexandre Gandarela, que era o Coordenador da Missão da São Patrício, recebeu uma ligação de uma pessoa dizendo que havia feito uma grande quantidade de sopas acondicionadas em isopor (como fazemos hoje) pedindo socorro para distribuir as marmitas. Era quase meia noite e estávamos na Cracolândia do Ceasa na Vila Leopoldina. Fomos atender ao pedido e tinha cinco ou seis carros lotados com os participantes da missão, mas toda a sopa ficou em um só carro, no carro do Sr. Celso da nossa paróquia. Caiu uma chuva torrencial naquele momento e estávamos a cerca de dois ou três quarteirões do local onde havíamos deixado os nossos carros. Resultado:- Todos ensopados e nenhuma sopa entregue. A missão foi encerrada, todos voltaram para suas casas e o Sr. Celso voltou para a dele com toda a sopa no porta mala de seu carro.

No sábado, logo cedo, o Sr. Celso pensava o que faria com as sopas. Elas precisavam ser entregues. A primeira aparição que teve foi do caminhão do lixo passando enfrente a sua casa. Recorreu a ajuda do pessoal do caminhão, mas o máximo que conseguiu foi entregar 06 sopas.

Lembrou-se então de um missionário evangélico (Sr. Marcos da Missão IDE), que mora em Itapevi e que já havia feito uma entrega de alimentos na missão com ele. O Sr. Celso comentou o ocorrido e ofereceu a ele a sopa para que entregasse aos seus vizinhos. Ele de pronto aceitou a oferta, porém, disse que faríamos juntos a entrega.

Naquele sábado, logo cedo, começamos a entregar a sopa em Itapevi e terminamos em Carapicuiba. O Sr. Celso recordou que nesta missão, encontrou o Sr. Lourenço, um senhor de vive nas ruas e que não bebe, não usa drogas, sequer fuma cigarro e sempre recebe a missão com um sorriso no rosto, até hoje.

Diferentemente de Osasco, onde várias entidades entregam alimento, em Itapevi e Jandira, raramente você encontra pessoas fazendo essa entrega e pudemos sentir uma carência muito maior por alimento pois os locais são muito escondidos e aparentemente perigosos.

Como não tínhamos como fazer o marmitex, passamos a fazer entrega de lanches (pão com mortadela ou apresuntado) todas as quarta feiras nesse roteiro de Itapevi e Jandira. Continuamos também fazendo a missão com a Comunidade São Patrício. Isto foi até meados de maio de 2016. Lembramos de pelo menos três pessoas que estavam firmes na missão. Sr. Celso, Sra. Elaine Falcão e o Sr. José.

Temos um outro fato marcante da missão de rua. No início de setembro de 2016, o Sr. Celso havia recebido de uma Associação Espírita de Guarulhos, uma quantidade muito grande de roupas e um grupo de senhoras, resolveu separar tudo o que fora recebido por tipo de roupa, tamanho, etc.. No dia 14 de setembro daquele ano, houve um incêndio numa favela em Osasco e o noticiário dava conta de que não havia sobrado nada. Os barracos e os pertences dos moradores haviam se transformado em cinzas. Além da participação da nossa Pastoral da Caridade, a comunidade São Patrício e tudo o que havíamos separado da doação de Guarulhos, conseguimos lotar um caminhão VUC do Cidão e outra camionete do Sr. Celso e fomos entregar aos flagelados. Chegamos ainda durante o dia e a defesa civil iniciou a distribuição imediata do que levamos entre roupas, alimentos e água, pois os moradores estavam apenas com a roupa do corpo e nenhuma outra doação ainda havia chegado.

Outro relato importante nesta trajetória da Pastoral, foi na quarta feria, seguinte a esta entrega em Osasco. Estávamos finalizando nossa missão no centro de Barueri e encontramos a Dona Maria  e o Sr. Edmilson que estavam com um caldeirão de sopa no carro e pediu nossa ajuda para entregar a mesma. Ela tinha preparado pela primeira vez a sopa. Não tivemos dúvidas. Refizemos o roteiro de Itapevi e entregamos toda a sopa.

Em 27 de setembro de 2016, criamos um grupo de entrega junto com eles e passamos a entregar a sopa toda terça e quinta-feira. Saíamos para os dois roteiros ( Itapevi e Carapicuiba ) e começamos aos poucos organizar melhor a distribuição dos caldeirões de sopa, depois em caixas de leite e suco. No começo era muito difícil e muito complicado (se comparado aos dias de hoje) mas ninguém viu nenhuma dificuldade. Em muitos dias tínhamos que ficar até tarde para terminar todo alimento e na maioria dos dias terminávamos de madrugada, pois depois da entrega tínhamos que ir até Santana de Parnaiba para deixar as panelas e o pessoal de lá que ia nos nossos carros. Acho que estávamos muito motivados pois a Dna. Maria preparava a sopa e ainda saia junto para fazer a entrega.

Da nossa paróquia, pelo que lembra o Sr. Celso, havia, a Elaine Falcão, o Sr. José, a Neide,  a Eli, a Cris além do próprio Sr. Celso. Relata inclusive o Sr. Celso que espera não ter se esquecido de alguém. Do lado da Perpétuo Socorro, tinha o Sr. Edmilson, a Dona Maria, o Sr. Luiz e mais algumas pessoas que o Sr. Celso não recorda o nome, mas conhece bem e lembra da fisionomia.

No final de 2017, parte do pessoal da cozinha (que era tudo em Santana de Parnaiba) resolveram dar uma parada pois parte deles tinham viagem marcada para visitar parentes e era o caso da Dna Maria da casa onde fazíamos a sopa e saíamos em missão. Resolvemos continuar e lembra o sr. Celso que foi pedir ao Padre Ubirajara um fogão emprestado, daqueles usados nas festas e recebeu a seguinte resposta: Arruma uma nutricionista e faz a sopa aqui na nossa cozinha. O Sr. Celso lembra que ficou emocionado e radiante com a notícia. Conseguimos a Nutricionista Nathalia Correia que se integrou na Pastoral da Caridade e que desde então tem nos ajudado e acompanhado na preparação das refeições.

Desde a primeira missão e ainda mais agora nunca nos faltou nada, sempre fizemos com doação ou com recursos que nunca fizeram falta. Com as doações da banca do David/Tati na gruta aos domingos e a de várias pessoas que nos acompanham com doações de embalagens, carne, pão francês, leite, gás, etc. Com o que sobra das doações para sopa direcionamos para outras entidades como Alar, Aresana, Anjos de Deus entre outros.

Hoje nossos roteiros estão bem organizados tendo hora para sair e voltar, pois o que sobra dos roteiros são entregues para serem consumidos por moradores de rua. Em Jandira, entregamos na casa de passagem da Aresana, onde moradores passam durante o dia para tomar um banho ou fazer uma refeição e em Barueri, na Casa de Passagem São Francisco de Assis da Caritas. Não voltamos com nada para casa.

Ainda temos contatos e fortes ligações com a missão de rua da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Eles fazemos às quintas-feiras os mesmos roteiros que fazemos atualmente e levam uma quantidade maior de alimentos, porque fazem questão de entregar na Cracolândia à noite.

Um grande diferencial de nossa missão de rua, é que temos a possibilidade de oferecer ao irmão de rua um tratamento para abandone esta vida, se recupere e volte com dignidade humana para a vida. Nos registros que temos, no dia 28 de julho de 2016, levamos a primeira pessoa que quis se recuperar para a Missão Belém. Nestes 04 anos de missão da Paróquia mais de 70 pessoas já foram retiradas da rua e levadas para : Missão Belém, Alar e Neftai. Embora haja casos de recaída na maior parte deles, a tentativa de tentar recuperar o irmão é sempre válida. Lembra o Sr. Celso de que um deles, o Sr. Giovanni do Jardim Silveira, já foi levado por quatro vezes para a casa de recuperação e acaba não terminando o tratamento. Sempre que o encontramos implora para poder voltar novamente ao tratamento. Diz que não sabe o motivo da recaída. A resposta que temos dado ao Giovanni é que vamos continuar orando muito a Deus por ele e na hora certa ele vai conseguir.

A grande intercessora deste Grupo de Trabalho da missão de rua é a Nossa Senhora da Misericórdia. Este Grupo de Trabalho passou a ter o nome de Filhos da Misericórdia. Vemos na imagem de Nossa Senhora da Misericórdia a predominância da cor Laranja, que inspirou a cor do Avental do Serviço da Pastoral da Caridade. Que Nossa Senhora da Misericórdia, tenha primeiro misericórdia de nós que nos colocamos a serviço para levar a misericórdia ao irmão sofrido nas ruas.

A messe é grande e os operários são poucos. Venha se juntar a nossa Pastoral da Caridade e em especial no Grupo de Trabalho Filhos da Misericórdia.

Que Deus toque o seu coração e que você O encontre nos irmãos de rua.

Esperamos por você.

Fiquem em Deus sempre

Pastoral da Caridade

Por Jair Ortega

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