Pascom Responde #008: Por que o abraço da paz não é dado em toda missa?

A paroquiana Érika Cristina nos enviou a seguinte pergunta:

Bom dia! A Paz de Cristo! Gostaria de saber por que não fazemos mais a oração da paz junto o padre, e por que em algumas missas damos a paz aos irmãos e em outras não? Muito obrigada! Fiquem com Deus!

Obrigado por nos envia sua questão Érika, e o Pascom Responde vai buscar dar a melhor resposta. Veja abaixo:

Na primeira parte da pergunta temos o seguinte:

O abuso litúrgico é antes de tudo uma falsificação da liturgia católica, no dizer da Instrução Redemptionis Sacramentum. Todo católico tem o direito de ver celebrada a sagrada liturgia sem improvisações, sem experimentação, de acordo com as normas estabelecidas pela Santa Sé. Esse direito reclama dos presbíteros e também dos demais fieis o dever de observar rigorosamente as regras litúrgicas. Todo católico deve, portanto, instruir-se a respeito do assunto e lutar, com maturidade e serenidade, para que os Santos Mistérios sejam celebrados segundo a liturgia determinada pela Igreja.

Selecionamos nesta página alguns equívocos infelizmente frequentes em termos de liturgia. Lembramos, mais uma vez, que a leitura da Instrução Redemptionis Sacramentum é importantíssima, quase obrigatória. Também recomendamos a leitura da Instrução Geral do Missal Romano, nos tópicos de interesse.

Por fim, um convite à prudência. A premissa com que se deve trabalhar é: sem caridade, melhor não agir. O dano de uma correção feita sem caridade pode ser maior que o próprio abuso. O fiel deve, portanto, apoiar-se, primeiro, na caridade, segundo, na caridade, terceiro, na caridade, ao tomar a iniciativa de apontar um abuso litúrgico. A título de sugestão, recomendaríamos o engajamento nas equipes pastorais responsáveis pelo auxílio à liturgia, como forma de melhor educar a comunidade. Se o equívoco for feito pelo próprio sacerdote, deve-se conversar diretamente com ele, sem antecipar o assunto com outros fieis, o que seria um desrespeito ao ministro de Deus. É claro que nos casos mais graves (vide “Graviora delicta” na Redemptionis Sacramentum), o assunto poderá exigir uma comunicação ao bispo.

Um erro frequente: rezar orações que são próprias do sacerdote

Os fervorosos fieis estariam cometendo um dos equívocos mais comuns em termos de liturgia. Há orações que são próprias e exclusivas do sacerdote. No caso específico, rezam o “Por Cristo, com Cristo, em Cristo…”, a doxologia com que o sacerdote encerra a oração eucarística (a parte central da missa).

Só o padre pode pronunciá-la. Mesmo que o celebrante convide (“todos juntos!”, etc.) os fieis deveriam ficar em silêncio e responder, ao final, o solene “amém” (cf. IGMR 151).

Os leigos também não devem rezar a oração da paz (“Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, Eu vos dou a minha paz…”). Só o sacerdote pronuncia essa oração.

Há que se distinguir os papéis do sacerdote e do leigo na missa: “Deve-se evitar o perigo de obscurecer a complementaridade entre a ação dos clérigos e dos leigos, para que as tarefas dos leigos não sofram uma espécie de «clericalização», como se fala, enquanto os ministros sagrados assumem indevidamente o que é próprio da vida e das ações dos fieis leigos” (Redemptionis Sacramentum).

Quanto a segunda parte temos o seguinte:

Papa Francisco através da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos chega para todos os católicos um novo documento: O SIGNIFICADO RITUAL DO DOM DA PAZ NA MISSA.

Neste documento, a Igreja deseja ensinar o correto significado do dom da paz na missa e a forma correta de o fazê-lo. Resumidamente a Igreja através desta carta, quer alertar os católicos de que momento da paz não é a hora do recreio na missa, onde é permitida a “baguncinha”, onde todo mundo pode romper o silêncio, sair dando abraços, beijos e colocar o papo em dia. Também não é a hora de tocar aquela música animada da paz dizendo que você é importante e que é muito bom você estar aqui. E muito menos o momento do padre abandonar o altar e bancar o padre peregrino que não descansa até cumprimentar o último fiel presente. 

Por isso, para não banalizar o rito, reduzimos a frequência com que realizamos este momento nas missas.

O momento da paz está inserido no Rito Eucarístico, um momento profundo onde o silêncio e a oração se fazem presentes. Portanto o momento da paz é simples: De maneira discreta e profunda, deseje a PAZ DE CRISTO a pessoa que está do lado esquerdo e direito. Feito isso, segue o rito. Nada de ficar acenando a mão para a aquele seu amigo que está do outro lado da igreja. Segundo o Papa Francisco e a Congregação para o Culto Divino.

Por Jair Ortega

Compartilhe: