Pascom Responde #010: Casais que não são casados na Igreja e vivem juntos, podem comungar?

Uma irmã nossa de comunidade nos enviou a seguinte pergunta:

Casais que não são casados na igreja e vivem juntos, podem comungar?

Agradecemos pelo envio da questão que é muito pertinente e que também é dúvida de várias pessoas. Vamos à resposta então:

Para poder responder a pergunta enviada no Pascom responde precisaríamos de uma análise individual de cada caso e sempre se recomenda uma conversa pessoal com um sacerdote, que melhor poderá, conhecer a realidade e dar uma orientação espiritual adequada.

Mas, de forma geral, vamos procurar responder utilizando principalmente o Catecismo da Igreja Católica, onde procuramos separar alguns trechos relacionados ao projeto de Deus, aos sacramento da comunhão, à Eucaristia e ao pecado, para que você possa entender melhor aquilo que professa a nossa Igreja sobre o assunto:

372 O homem e a mulher são feitos “um para o outro”: não que Deus os tivesse feito apenas “pela metade” e “incompletos”; criou-os para uma comunhão de pessoas, na qual cada um dos dois pode ser “ajuda” para o outro, por serem ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas (“osso de meus ossos…”) e complementares enquanto masculino e feminino. No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando “uma só carne” (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra” (Gn 1,28). Ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de forma única na obra do Criador. (Parágrafo relacionado: 1652,2366)

1355 Na comunhão, precedida pela oração do Senhor e pela fração do pão, os fiéis recebem “o pão do céu” e “o cálice da salvação”, o Corpo e o Sangue de Cristo, que se entregou “para a vida do mundo” (Jo 6,51): Porque este pão e este vinho foram, segundo a antiga expressão, “eucaristizados”, “chamamos este alimento de Eucaristia, e a ninguém é permitido participar na Eucaristia senão àquele que admitindo como verdadeiros os nossos ensinamentos e tendo sido purificado pelo Batismo para a remissão dos pecados e para o novo nascimento, levar uma vida como Cristo ensinou”.

“TOMAI E COMEI DELE TODOS VÓS”: A COMUNHÃO

1384 O Senhor nos convida insistentemente a recebê-lo no sacramento da Eucaristia:

“Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6,53).

1385 Para responder a este convite, devemos preparar-nos para este momento tão grande e tão santo. São Paulo exorta a um exame de consciência: “Todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignadamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Por conseguinte que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação” (1 Cor 11,27-29). Quem está consciente de um pecado grave deve receber o sacramento da reconciliação antes de receber a comunhão

1415 Quem quer receber a Cristo na comunhão eucarística deve estar em estado de graça. Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve comungar a Eucaristia sem ter recebido previamente a absolvição no sacramento da penitência

1852 A variedade dos pecados é grande. As Escrituras nos fornecem várias listas. A Carta aos gálatas opõe as obras da carne ao fruto do Espírito:

“As obras da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos previno, como já vos preveni: os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5,19-21)”.

1855 O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior

1856 O pecado mortal, atacando em nós o princípio vital, que é a caridade, exige uma nova iniciativa da misericórdia de Deus e uma conversão do coração, que se realiza normalmente no sacramento da Reconciliação: Quando a vontade se volta para uma coisa contrária â caridade pela qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, por seu próprio objeto, matéria para ser mortal… quer seja contra o amor a Deus, como a blasfêmia, o perjúrio etc., quer seja contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério etc. Por outro lado, quando a vontade do pecador se dirige às vezes a um objeto que contém em si uma desordem, mas não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, como por exemplo palavra ociosa, riso supérfluo etc., tais pecados são veniais’.

1857 Para que um pecado, seja mortal requerem-se três condições ao mesmo tempo:

“E pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente”.

1858 A matéria grave é precisada pelos Dez mandamentos, segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não dó fraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19). A gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A Violência exercida contra os pais é em mais grave que contra um estranho.

1859 O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Envolve também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal. A ignorância afetada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado.

Vemos pelo Catecismo que não podem comungar diversas pessoas, que infelizmente na atualidade comungam. Nosso sacerdote, Padre Ubirajara, tem comentado nas Santas Missas que estranhava que na comunhão a Igreja toda se levantava para receber o Corpo de Cristo, o que não julga ser normal.

A segunda forma de responder sua pergunta é pegando o conteúdo de um vídeo do Padre Paulo Ricardo, que respondia exatamente esta pergunta. No relato abaixo, transcrevemos trechos desta resposta que nos fará entender melhor esta situação:

Cita o Padre Paulo Ricardo que os animais irracionais não precisam se casar para ter um relacionamento sexual. Sentem atração sexual com outro animal, tem o relacionamento sexual em qualquer hora, lugar, circunstância. Ocorre que diferentemente do Ser Humano, o animal só tem corpo e não tem alma.

O Ser Humano no relacionamento precisa ter algum sentido, algum significado mais elevado do que o simples acoplar-se a outra pessoa. Não é somente uma realidade física ou somática.

O sexo quando vivido pelo ser humano nunca é para satisfazer uma necessidade física, animal, somática. Ela é sempre também algo espiritual, da alma. Ou seja, é algo que precisa ser sentido, é algo Sagrado.

O Sexo vivido de forma sadia, tem algo a ver com o Sagrado. A sexualidade bem vivida tem a ver com o Sagrado.

Nós Cristãos, cremos que Deus é Amor e nos fez para este Amor. E o que é o Amor?. O Amor é um vínculo, é uma realidade que me faz comunhão com o outro.

Não existe possibilidade de se amar e ter pessoas descartáveis. Todo amor é uma aliança. Não é possível fazer amor sem aliança. O casamento é uma destas alianças de amor. O celibato é uma outra aliança de amor.

Ninguém nasceu para ser solteiro (“solto”). Ser solteiro é um estado de vida que é temporário. Uma situação ainda insatisfatória. Quando nos perguntam qual é a sua vocação, ninguém responde ou não deveria responder, minha vocação é ser solteiro.

Viver uma aliança temporária ou descartável é transformar as pessoas em descartáveis.  É esquecer a dignidade espiritual da outra pessoa. Por isso uma pessoa vive uma aliança sexual descartável, que não vive uma comunhão de amor, não pode comungar. Você não pode receber comunhão se você não está querendo comunhão.

Se você não deseja vínculo, você não deseja  amor com responsabilidade, então você não pode comungar, porque não comunga quem não está em comunhão.

Esperamos ter respondido sua pergunta, mas reforçamos mais uma vez que o Sacerdote deve ser procurado para que possa, conhecendo a realidade pessoal, analisar melhor cada caso. Com certeza ela não fará nada que seja contrário a nossa fé cristã, mas poderá orientar melhor o casal, porque acima de tudo, Cristo, como relatamos acima no Catecismo da Igreja Católica, quer todos em Comunhão com Ele para poderem gozar a vida Eterna prometida por Cristo.


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