PascomResponde: Quando fazer vênia na missa?

Nossa amiga de comunidade Érika no enviou a seguinte pergunta:

Olá Pascom! A Paz de Cristo! Tenho uma dúvida… durante a celebração da missa, todas as vezes em que citamos o nome do Senhor Jesus e de Nossa Senhora é necessário fazer uma vênia simples? Agradeço a atenção!

Prezada Irmã em Cristo Erika

Obrigado por sua pergunta, que poderá também esclarecer a dúvidas de muitos sobre o assunto. Os gestos e posições do corpo fazem parte da participação integral do fiel aos santos mistérios, sendo de grande importância catequética conhecê-los.

Durante a Santa Missa diversas são as posições do nosso corpo. As posições mais utilizadas refletem o estado que a alma do fiel dever ter no momento em que ela é utilizada. Não podem ser somente gestos externos e mecânicos. Elas salientam a importância de determinadas partes da Missa e apontam ao fiel como deve se portar interiormente nelas. Ficamos em pé, sentado, ajoelhado durante a celebração da Santa Missa. Antes da sua resposta, devemos entender que temos também duas espécies de reverências: a genuflexão e a inclinação.

A Genuflexão é feita de duas maneiras: – com os dois joelhos (genuflexão dupla) e com um são joelho (genuflexão simples). Fazemos a genuflexão dupla quando adoramos ao Senhor, durante a consagração,  após a comunhão na nossa oração com Deus. Fazemos a genuflexão simples toda vez que passarmos ou nos aproximarmos do sacrário.

Faço aqui um comentário meu sobre o assunto, pois entendo que deveríamos, assim que adentramos à nave da Igreja (local após a porta de entrada, onde ficam os bancos para sentarmos, entre outros), nos dirigíssemos ao sacrário e fizéssemos pelo menos uma genuflexão simples antes de qualquer outra coisa. Deveríamos, assim que chegássemos ao local onde vamos participar da missa, fazer uma genuflexão completa e iniciássemos uma oração ao Senhor. Infelizmente não é isto que ocorre. A maioria das pessoas entram, preocupadas em encontrar um bom lugar, de preferência perto de pessoas conhecidas para que durante o tempo todo da missa possam conversar. O silêncio e a oração não tem sido práticas comuns de nós fiéis.

Voltemos às posições da vênia. Temos que:

A Inclinação pode ser profunda, média ou pequena (vênia)

  1. Profunda – consiste em inclinar o busto, de modo que as mãos estendidas possam tocar os joelhos – É feita no começo do Glória e do Credo, ao nomear a Santíssima Trindade, à palavra Oremos por exemplo.
  2. Média – é uma inclinação profunda da cabeça com uma leve inclinação do corpo – É feita o Nome de Maria
  3. Pequena ou Vênia – é a inclinação somente da cabeça – Ao nome do Santo em honra de quem se celebra a festa, vigília ou comemoração; sempre ao Nome do Sumo Pontífice, o Papa; ao nome do Bispo Diocesano, quando este é proferido em voz alta (quando está presente).

Respondendo à pergunta: Sim, devemos fazer uma inclinação de cabeça quando é citado o nome de Jesus e também o nome de Maria na Missa. Entendamos o porquê a seguir.

Na Missa ou Ceia do Senhor, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do sacerdote que representa a pessoa de Cristo, para celebrar a memória do Senhor ou sacrifício eucarístico¹. Portanto, na missa, existem gestos corporais e espirituais próprios do povo, convenientes para que se bem dela participe.

Quanto aos gestos do povo, temos:

Inclinação: A inclinação significa a reverência e a honra que se presta às próprias pessoas ou aos seus símbolos. Há duas espécies de inclinação: de cabeça e de corpo².

  1. De cabeça: Faz-se inclinação de cabeça quando se nomeiam juntas as três Pessoas Divinas, ao nome de Jesus, da Virgem Maria e do Santo cuja honra se dirige a Missa2. Também é feita ao sacerdote ou o bispo que preside a Missa. Faça-se também uma leve inclinação da cabeça junto ao tronco ao passar em frente ao altar. Vale ressaltar que, ao atravessar o corredor central da igreja, deve-se fazer essa leve inclinação em direção ao altar;
  2. De corpo ou profunda: Inclina-se a coluna de modo que se possa tocar os joelhos. É feita o Credo Símbolo Niceno-Constantilopolitano, segundo as rubricas do Missal, às palavras “E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Também no Símbolo Apostólico, às palavras “Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria”. Especialmente na celebração do Natal do Senhor, nestas palavras, todos se ajoelham3. Faz-se também ao Sacrário, quando não se pode fazer a genuflexão.

Genuflexão: Existem dois tipos; Simples: A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até ao solo mantendo a coluna ereta, significa adoração; é por isso reservada a todas as vezes que se passar diante do sacrário com o Santíssimo Sacramento², também ao entrar e ao sair de uma igreja. Esse gesto é também reservado a Santa Cruz, que veneramos na Sexta-Feira da Paixão do Senhor. Genuflexão dupla: Reservado unicamente quando o Santíssimo Sacramento está exposto sobre o Santo Altar.

Ajoelhar-se: Remete à adoração a Deus diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e vinho na Oração Eucarística4.

Dados fornecidos pelos acólitos de nossa paróquia: Fernando B. Silva/ Gabriel M. dos Santos / Matheus T. C. Felix

Outras fontes da matéria:

Cf. Instrução Geral Sobre o Missal Romano, Missal Romano, Estrutura geral da missa, n. 7. p.33.

Cf. Missal Romano, Instrução Geral Sobre o Missal Romano, As diversas formas de celebração da Missa, n. 233-234. p. 71.

Cf. Missal Romano, Instrução Geral Sobre o Missal Romano, As diversas formas de celebração da Missa, n. 98. p. 54.

Cf. Instrução Geral Sobre o Missal Romano, Missal Romano, Estrutura geral da missa, n. 21. p.36.

Catecismo da igreja católica

Site www.salvemaliturgia.com

Site www.adoremus.org


Abaixo segue um complemento que também achei interessante no site www.salvemaliturgia.com que fala sobre os gestões e posições do povo na Missa. Segue como um complemento:-

Gestos e posições do povo na Missa

Ritos Iniciais

Fazer o sinal da Cruz com água benta (sinal do batismo) ao entrar na igreja.

Fazer genuflexão ao sacrário contendo o Santíssimo Sacramento, e ao altar do Sacrifício, antes de se dirigir ao banco. (Se não houver sacrário no presbitério, ou se este não for visível, fazer inclinação profunda ao altar antes de se dirigir ao banco.)

Ajoelhar-se ao chegar no banco para oração privada antes do início da Missa.

Ficar de pé para a procissão de entrada.

Fazer inclinação de cabeça quando o crucifixo, sinal visível do sacrifício de Cristo, passar em procissão. (Se houver um bispo, fazer inclinação quando ele passar, como sinal de reconhecimento da sua autoridade da Igreja e de Cristo como pastor do seu rebanho.)

Permanecer de pé para os ritos iniciais. Fazer o sinal da Cruz junto com o sacerdote no começo da Missa.

Bater no peito ao “mea culpa(s)” (“por minha culpa, minha tão grande culpa”) no Confiteor.

Fazer inclinação de cabeça e o sinal da Cruz quando o sacerdote disser “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós…”

Fazer inclinação de cabeça ao dizer o “Senhor, tende piedade de nós” no Kyrie.

Se houver o Rito da Aspersão (Asperges), fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.

Durante a Missa, fazer inclinação de cabeça a cada menção do nome de Jesus e a cada vez que a Doxologia [“Glória ao Pai…”] for rezada ou cantada. Também quando pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc, e ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.). Fazemos também a inclinação de cabeça ao ser pronunciado o nome de Nossa Senhora durante a consagração.

Gloria: fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus. (“Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito…”, “Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo…”)

Liturgia da Palavra

Sentar-se para as leituras da Sagrada Escritura.

Ficar de pé para o Evangelho ao verso do Alleluia.

Quando o ministro anunciar o Evangelho, traçar o sinal da Cruz com o polegar na cabeça, nos lábios e no coração. Esse gesto é uma forma de oração para pedir a presença da Palavra de Deus na mente, nos lábios e no coração.

Sentar-se para a homilia.

Credo: De pé; fazer inclinação ao nome de Jesus; na maioria dos Domingos durante o Incarnatus (“e se encarnou pelo Espírito Santo… e se fez homem”); nas solenidades do Natal e da Anunciação todos se ajoelham a essas palavras.

Fazer o sinal da Cruz na conclusão do Credo, às palavras: “..e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”

Liturgia Eucarística

Sentar-se durante o ofertório.

Ficar de pé quando o sacerdote disser “Orai, irmãos e irmãs…” e permanecer de pé para responder “Receba o Senhor este sacrifício…”

Se for usado incenso, o povo se levanta e faz inclinação de cabeça ao turiferário quando ele fizer o mesmo, tanto antes como depois da incensação do povo.

Permanecer de pé até o final do Sanctus (Santo, Santo, Santo…”), quando se ajoelha durante toda a Oração Eucarística.

No momento da Consagração de cada espécie, inclinar a cabeça e pronunciar silenciosamente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar. Estas são as palavras de São Tomé quando ele reconheceu verdadeiramente a Cristo quando Este apareceu diante dele (Jo 20,28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20,29).

Ficar de pé ao convite do sacerdote para a Oração do Senhor.

Com reverência, unir as mãos e inclinar a cabeça durante a Oração do Senhor.

Manter-se de pé para o sinal da paz, após o convite. (O sinal da paz pode ser um aperto de mãos ou uma inclinação de cabeça à pessoa mais próxima, acompanhada das palavras “A paz esteja contigo”.)

Na recitação (ou canto) do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”), bater no peito às palavras “Tende piedade de nós”.

Ajoelhar-se ao fim do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”).

Fazer inclinação de cabeça e bater no peito ao dizer: “Domine, non sum dignus… (“Senhor, eu não sou digno…”).

Recepção da Comunhão

Deixar o banco (sem genuflexão) e caminhar com reverência até o altar, com as mãos unidas em oração.

Fazer um gesto de reverência ao se aproximar do ministro em procissão para receber a Comunhão. Se ela for recebida de joelhos, não se faz nenhum gesto adicional antes de recebê-la.

Pode-se receber a Hóstia tanto na língua como na mão.

Para o primeiro caso, abrir a boca e estender a língua, de modo que o ministro possa depositar a Hóstia de forma apropriada. Para o outro caso, posicionar uma mão sobre a outra, de palmas abertas, para receber a Hóstia. Com a mão de baixo, tomar a Hóstia e com reverência depositá-la na sua boca. (Ver as diretrizes da Santa Sé de 1985).

Quando carregando uma criança, é muito mais apropriado receber a Comunhão na língua.

Se comungar também do cálice, fazer o mesmo gesto de reverência ao se aproximar do ministro.

Fazer o sinal da Cruz após ter recebido a Comunhão.

Ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”.

Ritos Finais

Ficar de pé para os ritos finais.

Fazer o sinal da Cruz durante a bênção final, quando o sacerdote invocar a Trindade.

Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)

Se houver um hino durante o recessional, permanecer de pé até o final da execução. Se não houver hino, permanecer de pé até que todos os ministros tenham se retirado da parte principal da igreja.

Depois da conclusão da Missa, pode-se ajoelhar para uma oração privada de ação de graças.

Fazer genuflexão ao Santíssimo Sacramento e ao Altar do Sacrifício ao sair do banco, e deixar a (parte principal da) igreja em silêncio.

Fazer o sinal da Cruz com água benta ao sair da igreja, como recordação batismal de anunciar o Evangelho de Cristo a toda criatura.

Leia também:

Ritos Iniciais da Missa

O culto do Espírito Santo

Por Jair Ortega

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